Cicatrizes Que Não Sangram
(O Começo do Fim)
Esta é uma história sobre dor, traumas, amor e decisões. Ela contém dois finais alternativos.
O leitor pode escolher com qual deseja ficar... ou aceitar que, às vezes, o fim depende de um pequeno detalhe.
Lucas tinha apenas nove anos quando viu seu mundo ruir.
Naquela noite, a chuva parecia querer arrancar o céu da terra.
Ele estava abraçado ao boneco de pano que o pai costurou quando ele nasceu.
O barulho da porta sendo arrombada o fez se encolher atrás do sofá. Um grito. Um tiro. Outro.
Silêncio.
Ele só saiu do esconderijo quando sentiu o cheiro de sangue.
Lá estava seu pai, caído no chão da sala, com os olhos ainda abertos como se pedissem perdão.
A mãe dele nunca mais foi a mesma. Nem ele.
Desde aquele dia, o mundo se tornou cinza.
2. Os Corações Quebrados Não Fazem Som
A adolescência não trouxe alívio.
Lucas era o tipo de garoto que amava intensamente. Escrevia poemas, fazia desenhos, dedicava músicas.
E era sempre trocado. Por caras mais populares. Mais bonitos. Mais vivos.
Clara o fez acreditar que o amor existia, até beijar outro na frente dele.
Isabela o fez sonhar com o futuro, até sumir sem explicação.
Lucas parou de sonhar. Começou a se esconder debaixo do cobertor com fones de ouvido,
ouvindo as mesmas músicas tristes até a bateria acabar.
A ansiedade virou rotina. A depressão, companheira. A vida, um fardo.
3. A Luz na Escuridão
Foi no terceiro ano do ensino médio que ele conheceu Luna.
Ela era diferente. Não fingia ser feliz. Não fingia que o mundo era justo. Ela sorria com tristeza nos olhos.
E isso fez Lucas querer sorrir também. Começaram a conversar por acaso.
Ela disse que gostava de escrever cartas que nunca enviava.
Ele confessou que fazia o mesmo.
Com o tempo, se tornaram inseparáveis.
Era como se duas almas quebradas tivessem encontrado o encaixe perfeito.
Lucas se apaixonou. E pela primeira vez, foi correspondido.
Mas o passado de Luna era um fantasma que sussurrava no escuro.
Abusos. Silêncios forçados. Ameaças. Medos.
Ela chorava às vezes, tremendo. E Lucas a abraçava sem dizer nada.
Mas dentro dele, algo ainda doía. Algo que nenhuma paixão curava.
4. A Morte em Vida
Lucas queria ser forte. Mas havia dias em que o espelho mostrava só ruínas.
Certa noite, Lucas dormiu cedo. Ele saiu de casa e foi até aquele lugar onde costumava sentar com o pai.
Um prédio perto da cidade, de onde dava pra ver as luzes como se fossem estrelas.
Colocou os fones de ouvido.
A música começou: "I'm scared... I'll never feel again..." - Romantic Homicide, D4vd
Ele fechou os olhos.
Lembrou do pai sorrindo enquanto pintava o quarto. Lembrou das lágrimas que nunca conseguiu mostrar pra ninguém.
Lembrou das palavras que Luna disse: "Você é a única coisa que me mantém aqui."
E, naquele momento, ele escolheu.